21 janeiro 2015

DICA DE FILME: A Festa de Babette


Um filme que nos leva para um desolado povoado na costa da Dinamarca. Uma fotografia que lembra pinturas antigas. Uma solidão que chega a ser bonita de assistir. Um banquete de dar água na boca. Uma frase que pode definir uma vida: "Uma artista nunca é pobre". E ainda foi vencedor do Oscar de 1988 de melhor filme estrangeiro.

Depois de tudo isso que eu citei, vocês ainda não querem assistir a "A Festa de Babette"?! 


Então vou deixar que esse trecho - de um texto do Rubem Alves - fale por mim:

"Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme "A Festa de Babette". Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida..." 

Rubem Alves para o jornal Correio Popular. 

Não é lindo?! Eu recomendo M U I T O esse filme, é poesia pura! 

Beijos, 

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