21 junho 2016

O Bordado Encantado da família Dumont

Vocês sabem: eu sou uma entusiasta das artes manuais. Valorizo o feito a mão, o único, aquilo que as pessoas produzem com criatividade, imaginação e afeto. Entre as minhas paixões estão a costura e o bordado.


De uns tempos pra cá, esse último ganhou notoriedade em feiras e também na internet, agora com temas modernos, saindo do clássico ponto cruz com flores. Mas aqui no Brasil tem uma família que há mais de 50 anos borda de maneira artesanal, única e transformadora.

O grupo Matizes Dumont é formado por 6 integrantes de uma mesma família - a matriarca dona Antônia, foi quem começou com a arte e transmitiu para as 4 filhas, o único filho homem é responsável pelos desenhos. Para essas mulheres, que já transmitiram o bordado para as novas gerações da família, a terra é o tecido e a vida ganha forma através de linhas e pontos.

Eu conheci o trabalho delas pela internet ao ver o documentário Trans-Bordando e fiquei fascinada. A presença da natureza, a forte ligação com as raízes, a história da família, o trabalho social, tudo me encantou. E ao descobrir que elas fariam um curso aqui no Rio de Janeiro, não perdi tempo e me inscrevi.


A experiência durou dois dias e foi incrível. Sávia e Maria Helena, são mãe e filha, e juntas ensinaram para as alunas que através do bordado é possível se reinventar e contar a nossa própria história com uma técnica milenar.

O trabalho da família Dumont já foi reconhecido por grandes artistas brasileiros como a cantora Maria Bethânia, que teve a capa de um cd e o cenário do show feito pelas bordadeiras. Aliás, as irmãs também  fizeram um lindo trabalho para o estilista Ronaldo Fraga. Tudo isso é possível ver no documentário. Assistam, só tem 26 minutinhos!
 

Nascidas em Pirapora em Minas Gerais, numa comunidade ribeirinha às margens do Rio São Francisco, as irmãs decidiram criar o ICAD  - Instituto Cultural Antônia Diniz Dumont - onde desenvolvem projetos sociais junto a comunidade para a geração de emprego e renda.

Tá, mas eu vou falar da minha experiência ao lado dessas artistas:  Sávia tem uma energia contagiante, ela conversa com altivez, ensina com tranquilidade e preenche o espaço com a suavidade do sotaque mineiro. Foi ela quem me ensinou 7 novos pontos de bordados. Foi ela também quem mostrou que a água não é sempre azul, e que a natureza está diretamente ligada com as artes manuais. Meu trabalho ainda não tá pronto, devo levar uns dois meses para concluir a peça. E é claro que eu vou mostrar para vocês aqui no blog.


Enquanto isso, vou bordando, criando, amando. E tendo um super orgulho de ser brasileira e saber que minha terra tem grandes artistas - como essas irmãs - que usam as mãos para embelezar o mundo. Um salve a essas mulheres que tem uma intimidade única com linhas e agulhas, e que tem o talento de transformar um desenho numa verdadeira obra de arte.

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