30 março 2017

Moda: Inverno feito à mão

Lembra dos blusões de lã ou tricot que a gente usava na infância?! Eu lembro e até sinto saudades! Venho de uma família onde as mulheres eram ótimas crocheteiras e tricoteiras, mas infelizmente - ainda - não aprendi essas técnicas! Sentiram o determinismo no AINDA?! Afinal, nunca é tarde para aprender algo novo! :)

Mas tem muita gente por esse mundo afora que manteve a tradição e sabe fazer peças lindíssimas.

Quem me conhece sabe que eu amo trabalhos manuais, e sou verdadeiramente uma grande entusiasta deles. Afinal, sabemos que essas técnicas são milenares. Serião! Tudo teria começado lá com os egípcios, onde o entrelaçamento era feito com a ajuda de ossos e madeiras. Em países Europeus, de extremo frio, como a Inglaterra, a técnica começou com mulheres que faziam meias e cachecóis para proteger os maridos e as crianças durante o inverno.

De lá pra cá, o mundo mudou, mas o que parecia ser coisa da vovozinha, tem conquistado cada vez mais grandes grifes de moda. Não que a gente vá comprar peças caríssimas, mas serve como inspiração, né?!

Dessa vez, o crochet e o tricot voltam com tudo para o inverno de 2017. É isso mesmo, pode pedir pra tua avó, mãe ou tia fazer um blusão lindo, colorido e bem modelado ao corpo.


Pelo menos foi assim que a Maison Balmain, a famosa marca francesa de alta costura, investiu na coleção Resort 2017. Com muitas linhas, tramas, macramês e crochet!

Olivier Rousteing é o jovem estilista que assumiu a marca há 6 anos. Desde então, ele trouxe um frescor para a Balmain, e claro, introduziu mais peças artesanais. O resultado é sensualidade, capricho e aquele toque de exclusividade, que só peças feitas à mão trazem!


As peças são super coloridas e servem de inspiração para trazer mais graça nas tão sóbrias roupas de inverno. Te inspirou? Sabe fazer? Conhece alguém que faça? Ó, quem sabe até julho não ficam prontas, hein?!


15 março 2017

Inhotim: Visitou, deslumbrou!


O título desse post faz jus a tudo que eu ouvi antes, durante e depois de conhecer o Instituto Inhotim, o maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América Latina.

Há anos eu queria fazer essa viagem para Brumadinho, cidade que abriga o Museu em Minas Gerais.  A visita é realmente indescritível, só indo pra sentir, viver e entender. A dimensão do lugar, e a relação das obras e das galerias com o espaço tornam a visita singular. E oh que de museu eu entendo e gosto, viu! Já percorri muitos por aqui e acolá! Mas esse tal de Inhotim, vou te dizer: tem algo que foge do óbvio.




Com certeza o mérito para tudo isso é da natureza. Extravagante, soberana, única. Ela é a própria obra, ela abriga a arte e transmuta nossos sentidos.

Em 2004 o espaço surgiu para a abrigar a coleção de Bernando Paz, empresário do ramo da mineração e siderurgia. Ele se desfez da coleção de obras modernistas, que incluía Portinari, Di Cavalcanti, Guignard,  para formar o acervo de arte contemporânea que hoje está exposto em Inhotim.


Mas só em 2006 ele foi oficialmente aberto ao público. O Museu abriga obras desde a década de 70 até a atualidade. Nele estão expostas criações de Adriana Varejão, Hélio Oiticica, Tunga, Lygia Pape, Cildo Meireles, Valesca Soares e dezenas de artistas internacionais.

O Museu fica dentro de uma área de Mata Atlântica, com mais de 786 hectares, então separe dois dias da sua agenda para conhecer e caminhar por tudo com tranquilidade e prazer. Atualmente, ele conta com 23 galerias, mas todo ano é inaugurada uma área nova.


Além de arte e natureza, o Instituto Inhotim oferece restaurantes, lojas e deliciosos  espaços de descanso, como 98 bancos do designer Hugo França, espalhados pelo museu. O primeiro foi colocado debaixo de um Tamboril, a árvore que virou símbolo de Inhotim. E oh que legal: os bancos são feitos de troncos e raízes de pequi-vinagreiro, árvore comum na região, que são encontrados caídos ou mortos na floresta.


Bom, não adianta eu falar do quanto eu amei esse lugar, você tem que ir e se deixar encantar.  É, definitivamente, amor à primeira vista! E que vista!


08 março 2017

A dor nossa de cada dia


Não vejo motivos para comemorar o dia 8 de março com flores ou bombons, não é isso que queremos! Nem foi por isso que batalhamos. A data, que em 1857 marcou a luta de mulheres operárias - que paralisaram suas atividades por melhores condições de trabalho e igualdade - continua atual até hoje e de maneira incansável. Mas foi só depois da tragédia que ocorreu em 1911, quando uma fábrica têxtil de Nova Iorque pegou fogo, vitimando 130 mulheres que morreram carbonizadas, que a data começou a ser oficialmente instituída e "celebrada". Mas vem cá, celebrar o quê, hein!?!

Mais de cem anos se passaram e nós continuamos aqui: lutando bravamente pelo fim da desigualdade entre homens e mulheres, pelo fim do machismo que humilha, maltrata, agride e mata.

Como repórter, por 8 anos eu ouvi, escrevi e coloquei no ar com grandes equipes de jornalismo, centenas (isso mesmo), centenas de histórias tristes e chocantes.E a grande maioria, adivinhe? Eram histórias de mulheres e de meninas que foram abusadas, violentadas, estupradas e mortas. Eu conheci inúmeras delegacias da Mulher no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro. E as histórias, quase sempre se repetiam! Cada vez que uma mulher, uma mãe, uma filha, chorava ao dizer o que sentia, eu chorava junto. Fraqueza?! Não! Dor e medo! Ser mulher é conviver diariamente com o medo. O medo de sair na rua, o medo de um assovio qualquer se transformar numa perseguição, o medo de ficar sozinha dentro do ônibus, de ir à praia para ler um livro e um homem se aproximar e te assediar, o medo dos olhares, o medo do companheiro ser violento, o medo de estar, o medo de ser.

E esse medo se potencializa quando vemos que estamos longe, muito longe de alcançar uma sociedade igualitária, justa e mais respeitosa. Cada vez que um homem tira uma foto do corpo de uma mulher na rua, ele pratica o machismo, ele invade o espaço daquela pessoa, ele vê o nosso corpo como um objeto. E depois disso, vem a cantada infame, a mão - que de "boba" não tem nada - no meio de um bloco de carnaval ou festa, os assédios, os excessos e toda aquela violência que os homens insistem em perpetuar ao longo dos séculos.

Até quando?! Será preciso que nós mulheres tenhamos uma nova geração de filhos e filhas que se respeitem mutuamente? Será preciso a humanidade se reinventar para valorizar o sagrado feminino?!

Na antiguidade, e tô dizendo civilizações milenares, as mulheres eram reverenciadas, o ciclo da mulher era comparado aos ciclos da terra de gerar frutos e alimentos . As mulheres eram protegidas e amparadas, mas o que aconteceu de lá pra cá?! A soberania masculina, a imposição do mais forte sobre o mais fraco, o patriarcado, o poder , a submissão. Foi isso e muito mais, que até hoje nos fazem querem entender porque os homens querem provocar essa dor, essa desigualdade e essa opressão? O machismo é uma forma de dominação, e o feminismo não é seu contrário. Ele é uma luta por direitos iguais.

A escritora Clara Averbuck explica em poucas linhas, e de maneira tão simples e eficaz, o que é o feminismo:

"Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro".

É isso, é tão fácil de entender! Queremos que os homens respeitem as nossas escolhas, os nossos direitos. Queremos companheiros que estejam lutando ao nosso lado e não perpetuando a sexualização de nossos corpos, queremos trabalhar tanto quanto eles, e ter o salário equiparado. Queremos dividir as tarefas domésticas. Queremos amor, queremos amar.  Afinal, nessa luta,o feminismo é a forma que encontramos de combater a dor nossa de cada dia.