27 novembro 2018

Ai, ai, ai, Mamain: Amamentação

A amamentação, por si só, já é um tabu e tanto na nossa sociedade. Primeiro, porque durante toda a gravidez só se fala no parto, no bebê, no quarto, nos cuidados. Eu percebi que essa importantíssima parte da nova vida da mãe recém nascida é pouco falada, explorada, debatida. E em segundo lugar, a gente sabe que amamentar em público gera olhares e cochichos (que eu não ligo e nem dou bola). Amamento meu filho na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. 

 
Mas amamentar é um desafio, sim. E não acontece de um jeito natural e simples. O bebê não vem com manual. Cada mulher tem um peito diferente e cada filho se adapta de uma maneira única.
De inicio, logo após o parto, vem o COLOSTRO, aquele líquido aguado pré leite e que a gente sabe que o bebê precisa. Vicente ao nascer e ao ser colocado no meu colo virou a cabeça em direção ao peito, tentei dar de mamar, acho que não fluiu, claro que não rolou, mas só me lembro de beijá-lo loucamente por minutos e mais minutos.

A minha primeira lembrança, foi lá, no quarto do hospital, com a enfermeira dizendo: "tá na hora do bebê mamar". E graças ao apoio que eu recebi na gravidez, com dois cursos de amamentação e mais o atendimento da minha enfermeira obstetriz, eu sabia o bê-a-bá da amamentação: pega correta, boca do bebê em toda aréola, queixo pra baixo, bico no céu da boca do bebê. Ahhhhh, monamu, na teoria tava uma beleza. Mas foi botar o guri no peito pro dilema começar...
Quem disse que ia ser fácil?

Enfia o peito ali, ajeita os braços do nenê acolá, e haja paciência, mamain!

O bebê precisava mamar a CADA TRÊS HORAS, ISSO MESMO, TRÊS HORAS!
Sabem o que eu fiz????
Chamava a enfermeira para me ajudar. SEMPRE! (Essa é a minha dica de ouro enquanto você estiver no hospital). Só assim, com o suporte de quem estava acostumada com o dia a dia dos bebês recém nascidos que eu entendi como era feita a pega correta.

Tava na hora de amamentar? Eu chamava a enfermeira! Sim, a cada 3 horas eu apertava o botão da enfermaria e prontamente TODAS elas, de TODOS OS TURNOS, me ajudaram! Entrei na terça e sai na quinta-feira do hospital. Ao deixar o quarto pensei: será que vou dar conta desse bezerrinho, sozinha em casa, sem dormir e a cada três horas?! Não me acovardei. Fui segura de que tudo ia dar certo

Óbvio que não deu! Mas estar segura e ter por perto pessoas que te dão apoio, faz toda a diferença. Eu recebi ajuda do pai do Vicente que me incentivava a dar o peito, da avó dele, da bisavó. Até a inerte almofada de amamentação fez toda diferença.

Mas foi no sábado que meu leite desceu e eu senti os peitos virarem dois vulcões quentes empedrados numa ampla erupção láctea. Me deu febre, alergia no corpo todo, calorão e indisposição. É a chamada  APOJADURA, um fenômeno de nome esquisito, mas super natural sobre a descida do leite. Neste emblemático dia, recebi a visita da minha enfermeira obstetriz, uma sacerdotisa do sagrado feminino, que me ajudou muito. Aliás, foi ali que eu aprendi a dar o "mamá" deitada (que alegria para quem não dorme muito como eu).

Nos primeiros 10 dias, mesmo mamando a cada três horas, Vicente não engordou nada, pelo contrário, perdeu peso. Voltei da primeira consulta pediátrica abaladíssima, achando que meu leite era fraco, que eu não sabia amamentar, cheia de neuras. Fiz a louca e comprei uma balança pra contar cada grama que o bebê ganharia e daí intensifiquei as mamadas num ritmo de operária da revolução industrial. Cada vez que ele mamava eu dava os dois peitos. Sim, e deixava ele esvaziar, eram 30/40 minutos amamentando. Só em propaganda amamentar dura um minuto, minha gente! É demorado, dá sede, cai até cabelo!

Tive a sorte de não ter complicações, nenhuma mastite, nenhuma dor ou ferida. Apenas um ducto obstruído, nada que uma boa massagem (simmmmm, massageie seu peito, amiga), não resolvesse.
 
De lá pra cá, Vicente não parou de ganhar peso, e eu que achava "esquisito" ver bebezão mamando, agora (pago a minha língua), e dou muito leite materno pro guri. Aliás, desde o nascimento do meu filho, amamentar é o verbo mais constante na minha vida. Sou - desde o primeiro dia - adepta da livre demanda. Ele mama quando quer, a hora que quer e a quantidade que quer. Amamentar me deixou muito mais próxima dos outros mamíferos, me sinto mais fera, mais bicho. Tipo vaca, uma vaca das divinas tetas e tretas! :)  


Segue a trilha para esse post tão cheio de leite bom para os caretas...

 


SOBRE AMAMENTAÇÃO: a gente precisa ter PACIÊNCIA, FORÇA DE VONTADE, RESIGNAÇÃO, PRIVAÇÃO DO SONO E NÃO EXISTE - EM HIPÓTESE ALGUMA - LEITE FRACO. Todo leite materno é divino, maravilhoso! Mas sei que muitas mulheres, por "N" motivos não puderam ou não conseguiram dar o peito aos filhos. Minha mãe, por exemplo, só me amamentou por 60 dias. Depois ela não teve mais leite. Isso não tornou ela melhor ou pior. Cada caso é um caso. E seja no peito ou na mamadeira o importante é o bebê ser alimentado, ok?!

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